segunda-feira, fevereiro 27, 2017

A omissão do elefante na sala.

A forma como media e classe política está a omitir as responsabilidades de Paulo Portas enquanto Vice-primeiro-ministro e líder do partido da coligação responsável pela indicação do seu militante Paulo Núncio é quase escabrosa, e como o @psocialista alinha nisto é quase indecorosa. Todos fingem que o problema está na publicação ou não publicação das listas sobre offshores quando a questão essencial e fundamental é se o dinheiro declarado pelos Bancos ao Fisco foi ou não foi objeto de pagamento e impostos. Estão a gozar com os pequenos contribuintes que recebem ameaças de penhora por dívidas de 17 cêntimos por carta que custa mais do que a dívida.

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Boas Festas

Nesta quadra que é tempo de votos de paz e felicidade, pelo menos temos uma certeza: de que para além do Bem, o Mal também está entre nós, e como em qualquer história da nossa memória coletiva, O Bem corre sérios riscos de ser relegado e talvez mesmo vencido. Nunca foi tão claro aos olhos dos portugueses onde reside a fonte do Mal e nunca foi tão fácil identificá-los. O Mal deixou-se de subterfúgios e hoje objetivamente goza connosco enquanto Povo, ri-se de nós e diz de forma cristalina o que pretende de nós: submissão e miséria. Nunca tão poucos fizeram conscientemente mal a tantos. E nunca tantos suportaram o Mal com submissão como hoje.
Mesmo os que fogem para o estrangeiro, levam a miséria consigo e a imagem de um Portugal de que já não havia memória desde os anos 60. Com as centenas de Portugueses qualificados que arranjaram melhores empregos no estrangeiro, foram milhares de pobres para França, Luxemburgo ou Suíça que, sem qualificações como os seus antecessores dos anos 60, apenas servem para criadas, mulheres a dias, calceteiros e apanhadores de lixo. A Imagem de Portugal foi severamente prejudicada pela chegada dos executores do Mal e adoradores da miséria alheia de que se alimentam e fortalecem.
Esta é a maior lição da Democracia os Eleitores podem autoflagelar-se escolhendo serem governados pelas forças do Mal e desprezando o Bem, alheados do seu destino e colocando nas mãos dos seguidores das trevas o seu destino eleitoral.
Boas Festas a todos e quando acordarem e se depararem com a escuridão, acendam a Luz. se ainda não vos tiverem cortado a eletricidade. Mantenham uma vela e fósforos por perto.
Que 2015 possa ser um ano de Libertação da mediocridade e dos novos Miguéis de Vasconcelos em pele de cordeiro. O Mal também vai à missa mas corta a cabeça do Galo.

sábado, dezembro 13, 2014

Passos Coelho, O Despovoador

Passos Coelho disse que os donos do País estão a desaparecer, pois estão. O homem desta vez disse a verdade. Os donos do País estão a emigrar. E a natalidade nunca foi tão baixa. Cada vez há menos donos de Portugal, graças às políticas de Passos Coelho e do seu governo. Esta é a obra de que Passos Coelho se orgulha, Pedro Passos Coelho o Desertificador. Lindo cognome para ficar para história.

domingo, novembro 23, 2014

Prisões com flash

Parece que nos dias que correm qualquer cidadão pode estar certo de que se não estiver a chegar de viagem (avião, comboio, autocarro, elétrico, metro, barco ou mesmo táxi) e não houver uma chusma de jornalistas por perto, não vai ser preso. Mas qualquer cidadão (numa sociedade onde nos jornais todos somos culpados até prova em contrário) pode ser preso se houver um jornalista, um fotógrafo, ou uma câmara de TV, por perto. Não interessa o motivo (na verdade hoje não temos a ce...rteza de estar inocentes do que quer que seja). Podemos não viver num Estado Policial, mas devemos estar a viver um Estado Judicial onde, curiosamente, tudo vai ter ao mesmo magistrado. Pobre homem, não deve dormir.
A justiça pode ser cega, mas pelos vistos sofre de insónias e sabe os contactos de todas as redações. Os procedimentos e diligências obrigam à presença de funcionários de comunicação social? Se fosse intimado a comparecer numa esquadra ou junto de um juiz, Sócrates fugia? Haveria perigo de, caso fosse intimado, passasse a noite e o dia a destruir fotocópias como se soube de um anterior ministro que nunca foi intimado para nada? Para bem da justiça em Portugal espero bem que quer no caso dos vistos Gold (lembram-se? foi só na semana passada) quer a detenção de Sócrates (e dos outros 3) sejam coisa bem firme e consistente e que dê mesmo condenações exemplares. Se assim não for, não há forma de confiar na justiça em Portugal. E teremos então de pensar porque é que o Governo de Timor-Leste atuou como atuou.

segunda-feira, setembro 29, 2014

Salsichas e striptease

Mais do que saber do dinheiro que passos coelho receberia ou não se lembra se receberia - afinal o que são 5 mil euros para um homem remediado? - dinheiro por despesas e representação (nunca ficou claro de que tipo de representação se tratava, ópera, teatro,.. negócios?) o que se torna premente saber, até numa perspetiva do empreendedorismo que o governo tanto incentiva e parece querer praticar, é se a chamada salsicharia educativa e a projetada ou hipotética atividade de striptease estão devidamente licenciadas e se a casa oficial de S. Bento ou a PCM têm alvará para comercializar os ditos produtos de carne processada e proporcionar a empreendedora atividade de lazer enunciada. Até porque há questões de saúde pública a salvaguardar.
Mais ainda, torna-se necessário perceber se o governo, que tanto tem acarinhado as privatizações, não estará agora a entrar em áreas de atividade que devem prioritariamente ser desenvolvidas pelo setor privado.
Agora que Seguro está fora do baralho, quem irá inquirir o governo sobre estas matérias, que certamente irão ter impacto no orçamento de 2015? Irá Costa tomar a dianteira? Que novo líder parlamentar irá encostar às cortas parlamentares o governo para esclarecer estas matérias? Afinal tratar-se-ão de salsichas frescas ou de educação enlatada? e sobre o striptease, quem atuará? deverão as gorjetas ser declaradas para efeitos de IRS? As folhas dos extratos bancários poderão ser usadas como adereço? podem ser atiradas à Assembleia à medida que a performance decorre? podem ser servidas bebidas alcoólicas durante a atuação? e quem escolherá a música? A bancada do governo, a da oposição ou a direção da instituição?
Não restam dúvidas sobre as grandes dificuldades que António Costa terá de enfrentar até às desejadas eleições parlamentares. Mas estou certo que este assunto será objeto de profunda análise e debate no próximo congresso que consagrará António Costa como líder do maior partido da oposição e candidato a primeiro-ministro.

sexta-feira, setembro 19, 2014

Catalunha 1640

Portugal, em data e dia cujo significado maior sofreu um atentado quando 1 de dezembro deixou de ser feriado neste país, soube merecer a sua independência, lutou e conseguiu restaurar a sua soberania o que lhe tem permitido ao longo dos séculos e ao sabor dos seus governantes, conhecer a glória e a vergonha, ser senhor de si e, reptilineamente curvar-se humilhado por razão de governantes fracos e imbecis, ao longo dos séculos, até ao presente. Mas assumimos os nossos sucessos e as nossas desgraças e humilhações como gente soberana. Qualquer que seja a situação só há um responsável: o povo português soberano e independente. Nada é maior do que a Independência, nada é mais soberano do que saber que os falhanços e as glórias são nossas e nossas apenas. Não temos uma tutela externa a quem culpar ou agradecer. Somos nós. Somos Portugal.
A Catalunha merece, como Nação, ter direito a reclamar a autodeterminação e a independência se esse for o seu destino decidido em comum. Pode também vir a ter o mesmo resultado da Escócia, com uma maioria catalães a entenderem que não querem ser responsáveis pelo bom e pelo mau que lhes possa suceder no futuro, mas serão eles a decidir.
A minha gratidão e solidariedade vai para o povo catalão, por nos terem permitido ter sucesso na nossa vontade de sermos donos do nosso destino, qualquer que seja.        

A independência tem de se merecer

Seja pela força das armas, seja pelo voto democrático e ato superior de aceitação da vontade dos outros, ao mesmo tempo que afirma a sua própria, a Independência é algo que tem de se merecer. Os escoceses mostraram a sua vontade e uma parte significativa achou que não merecia ser independente. Não é caso de se dizer que decidiram continuar sob o jugo inglês, ou que demonstraram por maioria que desejavam continuar sob a tutela soberana de Londres. Como a Independência é coisa que só se tem quando se merece, os escoceses demonstraram na sua maioria que preferem ter um primeiro-ministro escocês de quando e vez em Londres a arcarem com a responsabilidade de serem donos do seu destino. Acharam que não mereciam. Ao contrário dos Irlandeses, décadas antes, os escoceses preferiram o conforto da Rainha e o alívio dos mercados.
A Escócia merece pertencer ao Reino Unido e partilhar o caminho de quem lhes extorquiu a Língua própria e lhes emprestou a sua. Como noutras ocasiões, nestes 300 anos, os escoceses tiveram a liberdade de pensar e decidir o seu destino pela sua própria cabeça, mas no último momento, decidiram pensar o que Londres decidiu. Não há promessa que valha ser substituto da independência. Mais uma vez os escoceses preferiram as promessas inglesas. Os escoceses, afinal e por toda a simpatia que me merecem, não estão capazes de ser independentes. Tomaram a decisão sensata, de ser governados por quem sabe e tem experiência em governar outros. Não será por causa disso que deixarei de beber um bom whisky de malte escocês e de com ele saborear a Liberdade que os que o produziram não sabem o que é.     

A Escócia e o lago da Independência


Não faltam declarações, dos ingleses, naturalmente, mas igualmente das vozes indistintas dos mercados e ameaças de entidades financeiras sediadas em Edimburgo, contra a possibilidade de os escoceses escolherem livremente o seu destino.

São as mesmas vozes que sobre o destino de outros países não alertaram para os mesmos medos e ameaças à estabilidade económica e financeira, política e de integração internacional. Foi assim com as realidades saídas da 2.ª Guerra mundial, URSS, Jugoslávia, Checoslováquia e depois, o Kosovo.

O desmembramento da URSS foi vista como uma vitória da liberdade sobre a opressão comunista. A Jugoslávia foi desagregada não só por tensões internas (a que não podem ser estranhas pressões externas de que não se fala) com a intervenção ativa da NATO, numa guerra fratricida que levou ao estabelecimento de 6 países minúsculos cada um menor que o outro. Enquanto estes países se reconfiguravam, e se matava e morria em nome de língua, nação e religião, ninguém referiu questões de viabilidade de qualquer destes países nascentes, os mercados não puxaram os cabelos, os juros não subiram. Nada do que agora parece ser vital no que respeita à Escócia era minimamente relevante, naquele tempo.

Percebe-se porquê, não era o colonialismo inglês que estava em causa. O mesmo sucede com a Catalunha. A única reticência surgiu quando o Kosovo quis sair da Sérvia. Aí, a Espanha e outros países com problemas de secessionismo, mostraram a sua relutância, mas o Kosovo tornou-se independente.

Porque é que a Escócia não pode voltar a ser independente? A Irlanda conseguiu libertar-se dos ingleses, em que é que os Escoceses são diferentes? Como é que a UE pode ser respeitadora do direito à autodeterminação e independência dos povos, mas só dos que ficam longe como o Sudão do Sul?

Os povos têm direito à autodeterminação e independência sem pedir autorização aos mercados.

Portugal tem o dever de apoiar uma nação que foi determinante na restauração da sua independência. A Catalunha foi esmagada pelo expansionismo castelhano em benefício de Portugal. Solidariedade é o mínimo que se pode oferecer à Nação Catalã. O que vai fazer a UE quando a Flandres se separar da Bélgica? Impedi-la de ficar na União Europeia?

quarta-feira, setembro 03, 2014

Reforma da Justiça

Para além da treta infantil de uma reforma que precisava de ser feita há 200 anos, há coisas curiosas que se devem certamente ligar aos 200 anos de espera. Há 200 anos a "informática" carregava papel de um lado para outro. Tal e qual como agora se pode ver nas fotos dos jornais. Fala-se de falhas informáticas e só se vê é papel amontoado por todo o lado, como provavelmente aconteceria há 200 anos.
Esta reforma é a coisa mais rídicula que este governo conseguiu pôr em marcha: Um sistema informático que não funciona nem a papel. Resmas de papel. Deve ser uma inovação da Ministra. Ridículo é o mínimo que se pode dizer de juízes e advogados no meio de papelada como baratas, e um sistema informático que uns dizem que anda pouco e outros que está parado. Uma vergonha nacional, e uma vergonha para os profissionais da justiça. Dos arguidos, testemunhas e demais pessoal que depende disto tudo ninguém fala. Não intressa. A oposição como está a banhos ou em eleições para eleições, nem abre a boca.

quarta-feira, agosto 27, 2014

É gastar bem sem olhar a quem

Expliquem-me como é que com tanto corte na despesa, aumento das receitas de impostos bem acima do "estimado", e sem contar com as despesas com juros e vencimentos (que supostamente fizeram aumentar a despesa por causa dos mauzões do TC), o défice se agrava? Como é possível? Será que é mesmo só incompetência ou andam a gastar dinheiro sem nos dizerem onde?

segunda-feira, agosto 18, 2014

Coelho e os bancos

Era uma vez um coelho que em dia de comício e depois de ter feito a sua diatribezita anti TC (é coisa que se tornou tradicional como o discurso de Natal ou de Ano Novo) resolveu que a melhor forma de combater os banqueiros maus e sem ética é esperar que o banco apodreça de tal forma que os banqueiros maus tenham de saltar do poleiro, enxotados pelos supervisores e reguladores "à lá limite" e depois fazer como na letra da Geni e do Zepelim de Chico Buarque:

Joga pedra no Salgado!
Joga pedra no Salgado!
Ele é feito pra apanhar!
Ele é bom de cuspir!
Ele saca de qualquer um!
Maldito Salgado

É esperar que eles estejam sem dignidade de partilhar os banquetes de outrora ou as viagens de estado e dizer que é uma vergonha a promiscuidade entre a política e esta gente da banca. Como aquele deputado do PPD que Salgado propôs  para Presidente da Conselho de Administração do BES. Ou gente que foi membro do Conselho de Estado e foi da administração do BPN/SLN. Ou o próprio Oliveira e Costa secretário de estado. Enfim tudo gente da banca e do PPD. Este coelho já de si um fenómeno da natureza, pois não salta, dará passos devido à sua particular morfologia, sabe bem de quem fala, quando discursa sobre promiscuidade e ausência de ética e coisas menos dignas que sucedem entre política e banca com membros do seu partido.
E diria que se estivéssemos na era estalinista uma purga se adivinhava. Ou se o premier de Portugal preconizasse a receita chinesa para a corrupção a razia que não se estaria a preparar.
Mas não. Isto foi no Discurso do Pontal, um discurso alegre e divertido à maneira do discurso dos presidentes dos EUA no jantar anual da imprensa. Foi tudo uma graçola pegada. O pessoal é que está a ficar com um sentido de humor germânico e pode até ter acreditado que aquilo era um coelho a falar a sério.
A maior piada que não posso deixar aqui de mencionar porque o homem tem paletes de graça, foi a de que não haveria um cêntimo dos contribuintes para pagar os desmandos e incompetência dos banqueiros. foi tão giro!

terça-feira, agosto 12, 2014

Andanças

Fui ao Andanças, este ano, Alto Alentejo, bem diferente do Baixo. Num dos palcos, no sábado, anunciava-se Música Africana, e eu lá fui. Sabendo da existência de brancos africanos, preconceituosamente, achei estranho que nenhum dos que subiam ao palco e pegavam nos diversos tipos de tambores (instrumentos de precursão) fossem negros. Quando se iniciou o espetáculo o que me veio à memória foi a declaração eleitoral de passos coelho como "o mais africano de todos os candidatos" não sei se por lá ter passado uns anitos da juventude (marcantes sem dúvida, são sempre), ou por razão de matrimónio e correspondente descendência mestiça, exemplo e fruto da nossa relação secular com povos, os mais diversos, mas no exemplo vertente, praticado no centro do império desfeito.
Pensei, era a isto que passos coelho se referia, homens brancos aculturados e exemplos da cultura musical africana. E como é comum, segundo dizem, com o intensificar dos tantãs que se intensificavam, entrei numa espécie de transe e comecei a "ver" a angolana Assunção Cristas na dançarina branca, a angolana Paula Teixeira da Cruz, e Miguel Relvas, que tal como passos coelho não nasceu em Angola, lá foi marcado na infância, pela cultura e pelos sons da terra quente e do seu povo.
Foi uma revelação, uma epifania, num governo polvilhado de tantos africanos, nenhum era negro. Com tanto africano negro em Portugal nenhum é embaixador, um ou outro deputado. Salazar investiu tanto nas celebrações do Mundo Português e hoje, o governo de Itália ou França têm representantes do resultado do seu passado colonial enquanto o nosso parece um governo de refugiados oriundos dos Governos de Pik Botha ou de Ian Smith da saudosa Rodésia. Acho que percebi a ternura que a Marine Le Pen tem pelos portugueses: das ex-colónias sim, mas brancos.
Já é suficientemente mau ter um governo que num dia diz uma coisa e no outro o seu contrário. Que tem dificuldades em lidar com a Lei Fundamental e de agir de acordo com a Constituição em vigor quando foram eleitos pelo bom povo português e que ainda os rege.
Foi muito interessante a minha ida ao Andanças, por vários motivos, mas este momento foi claro, foi quase como um acordar para o entulho histórico do nosso passado colonial.
Os países da CPLP têm pouco de que se queixar. Quando viemos embora não deixamos nada nos vazadouros. Podemos ter deixado as casas e as terras (é difícil de meter na mala e carregar no avião) mas deixámos tudo limpinho.
É claro que a maioria dos que regressaram, ou aqui chegaram pela primeira vez (porque não retornaram a um lugar onde já tivessem estado),  não são do calibre daqueles que hoje nos governam, mas os exemplares que se destacam são assim, como dizer, muito salgados, com travo de oliveira e aroma de costa.

domingo, maio 18, 2014

O síndrome de estocolmo

Sobre Portugal disse-se que foi alvo de um resgate. O resgate é coisa que se paga ao sequestrador para libertar o(s) sequestrado(s). Um dos problemas dos sequestrados é o de virem a sofrer do chamado síndrome de Estocolmo e a verdade é que este governo foi subserviente, venerando e obrigado da troica.
Podemos até falar de um governo não apenas obediente mas colaboracionista. E a Alemanha sabe o que é um colaboracionista, teve muitos exemplos disso. O que há a temer deste governo é o seu sentimento de orfandade, agora que foi libertado pelo resgate. - é um resgate estranho, em que o sequestrador empresta dinheiro ao sequestrado/resgatado que, depois de liberto, fica a pagar a sua "libertação" durante dezenas de anos. Uma libertação condicional que exige do liberto, um curvar de espinha durante pelo menos duas gerações, o que pode explicar a baixa natalidade dos portugueses: não querem os filhos a pagar pelo voto combinado de PCP/BE/PPD/CDS, que levou Portugal a pedir este programa de "ajustamento".
Agora vejamos, Paulo Portas acusa Sócrates de ser o pai e o padrinho deste ajustamento.
No entanto, foi a direita que viu no famoso PEC IV, a oportunidade de ouro para, finalmente, vergar o país à sua agenda liberal e libertar assim a direita do que o 25 de Abril trouxe a Portugal. O irónico disto é que quem serviu de bandeja à direita a possibilidade de fazer Portugal vergar-se ao dinheiro dos mercados e às suas "reformas" de capitalismo desregrado foi o PCP e o BE.
O PCP esse "defensor" dos "valores de Abril" que, diligente, atirou Portugal para os braços do revanchismo radical de direita. Passos Coelho e Paulo Portas deveriam propor a Cavaco, uma comenda, no 10 de junho, a Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, pelos relevantes serviços que prestaram à direita radical.

sábado, janeiro 18, 2014

Passos, o seu consenso com o PS e o referendo sobre a coadoção

Só pode ser piada. Não há forma de levar a sério este tipo de teatro baixo de associação de teatro amador da PCM ou de Massamá. Passos Coelho sabe o que quer dizer quando pede consenso e "coerência" ao PS. Consenso é concordar sem condições com o PPD. Passos sabe que se Seguro se estatelar neste consenso, está preso perante o eleitorado a um acordo que só pode salvar o PPD do afundanço eleitoral que merece. Ataca o PS e apela ao consenso. É esquizofrenia política pura.
Um acordo como o que propõe Passos Coelho é a negação da democracia. Se todos propuserem e defenderem o mesmo, qual é a escolha?
A prática do grupo parlamentar do PPD sobre a coadoção foi prova cabal da ideia de responsabilidade e coerência política que o PPD defende. Primeiro os deputados aprovam uma lei na generalidade e, depois, para garantir que a Lei nunca passará, propõem um referendo relâmpago, para travar a defesa de crianças em situação precária no caso de um guardião legal lhes faltar. Primeiro os deputados são competentes para votar uma lei na generalidade e depois são incompetentes para aprovar a mesma lei na especialidade. Os deputados do PPD deram aos seus eleitores uma prova cabal da sua incompetência. Todos sabemos os resultados de referendos realizados em Portugal: nenhum teve votantes suficientes para ser vinculativo. É nisso que aposta o PPD.
Os eleitores votam em deputados para os representar e depois os deputados devolvem essa responsabilidade delegada, depois de já terem, para o mesmo efeito, usufruído dela. Os eleitores não foram chamados para se pronunciar sobre tratados que impuseram perda de soberania a Portugal, mas podem ser chamados para impedir ou protelar a aplicação de uma lei que permita que uma criança seja protegida no futuro, caso lhe falte o pai ou a mãe. Enfim podem ser chamados a participar numa farsa. Podem ser usados como parte dos jogos florais do PPD.
Os deputados do PPD perderam a maioridade. Comportam-se como menores que agem irresponsavelmente sabendo que o pai não os vai castigar e que a Lei não os pode julgar pelos seus atos se forem menores. Os deputados do PPD comportam-se como pré-adolescentes inimputáveis dos subúrbios... de Massamá. Os deputados do PPD precisam urgentemente de ser adotados, ou colocados à guarda de uma instituição de menores, que os proteja destes atos irresponsáveis.

terça-feira, janeiro 07, 2014

A maldição de Goucha

Goucha pode não ser bruxo, mas teve a mais infeliz de todas as suas piadas, quando disse, em 1993, que Passos Coelho ainda viria a ser primeiro-ministro. É uma daquelas tiradas que os apresentadores de programas da treta têm só por que sim, mas que desta vez, se revelou uma maldição pior e com piores danos que a de Tutankamon ou as pragas do Egito. Bem pode agora Goucha lamentar-se. Tem é que ter tento na língua. Pensar duas vezes antes de dizer uma piadola que nos pode sair cara a todos. Para a próxima vez que lhe vier uma piada destas à boca mais vale meter pimenta na língua e calar-se.