Não faltam declarações, dos ingleses, naturalmente, mas
igualmente das vozes indistintas dos mercados e ameaças de entidades
financeiras sediadas em Edimburgo, contra a possibilidade de os escoceses
escolherem livremente o seu destino.
São as mesmas vozes que sobre o destino de outros países não
alertaram para os mesmos medos e ameaças à estabilidade económica e financeira,
política e de integração internacional. Foi assim com as realidades saídas da
2.ª Guerra mundial, URSS, Jugoslávia, Checoslováquia e depois, o Kosovo.
O desmembramento da URSS foi vista como uma vitória da
liberdade sobre a opressão comunista. A Jugoslávia foi desagregada não só por
tensões internas (a que não podem ser estranhas pressões externas de que não se fala) com a intervenção ativa da NATO, numa guerra fratricida que levou ao
estabelecimento de 6 países minúsculos cada um menor que o outro. Enquanto estes
países se reconfiguravam, e se matava e morria em nome de língua, nação e
religião, ninguém referiu questões de viabilidade de qualquer destes países
nascentes, os mercados não puxaram os cabelos, os juros não subiram. Nada do
que agora parece ser vital no que respeita à Escócia era minimamente relevante,
naquele tempo.
Percebe-se porquê, não era o colonialismo inglês que estava
em causa. O mesmo sucede com a Catalunha. A única reticência surgiu quando o
Kosovo quis sair da Sérvia. Aí, a Espanha e outros países com problemas de
secessionismo, mostraram a sua relutância, mas o Kosovo tornou-se independente.
Porque é que a Escócia não pode voltar a ser independente? A
Irlanda conseguiu libertar-se dos ingleses, em que é que os Escoceses são
diferentes? Como é que a UE pode ser respeitadora do direito à autodeterminação
e independência dos povos, mas só dos que ficam longe como o Sudão do Sul?
Os povos têm direito à autodeterminação e independência sem
pedir autorização aos mercados.
Portugal tem o dever de apoiar uma nação que foi
determinante na restauração da sua independência. A Catalunha foi esmagada pelo
expansionismo castelhano em benefício de Portugal. Solidariedade é o mínimo que
se pode oferecer à Nação Catalã. O que vai fazer a UE quando a Flandres se
separar da Bélgica? Impedi-la de ficar na União Europeia?
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