sexta-feira, setembro 19, 2014

A Escócia e o lago da Independência


Não faltam declarações, dos ingleses, naturalmente, mas igualmente das vozes indistintas dos mercados e ameaças de entidades financeiras sediadas em Edimburgo, contra a possibilidade de os escoceses escolherem livremente o seu destino.

São as mesmas vozes que sobre o destino de outros países não alertaram para os mesmos medos e ameaças à estabilidade económica e financeira, política e de integração internacional. Foi assim com as realidades saídas da 2.ª Guerra mundial, URSS, Jugoslávia, Checoslováquia e depois, o Kosovo.

O desmembramento da URSS foi vista como uma vitória da liberdade sobre a opressão comunista. A Jugoslávia foi desagregada não só por tensões internas (a que não podem ser estranhas pressões externas de que não se fala) com a intervenção ativa da NATO, numa guerra fratricida que levou ao estabelecimento de 6 países minúsculos cada um menor que o outro. Enquanto estes países se reconfiguravam, e se matava e morria em nome de língua, nação e religião, ninguém referiu questões de viabilidade de qualquer destes países nascentes, os mercados não puxaram os cabelos, os juros não subiram. Nada do que agora parece ser vital no que respeita à Escócia era minimamente relevante, naquele tempo.

Percebe-se porquê, não era o colonialismo inglês que estava em causa. O mesmo sucede com a Catalunha. A única reticência surgiu quando o Kosovo quis sair da Sérvia. Aí, a Espanha e outros países com problemas de secessionismo, mostraram a sua relutância, mas o Kosovo tornou-se independente.

Porque é que a Escócia não pode voltar a ser independente? A Irlanda conseguiu libertar-se dos ingleses, em que é que os Escoceses são diferentes? Como é que a UE pode ser respeitadora do direito à autodeterminação e independência dos povos, mas só dos que ficam longe como o Sudão do Sul?

Os povos têm direito à autodeterminação e independência sem pedir autorização aos mercados.

Portugal tem o dever de apoiar uma nação que foi determinante na restauração da sua independência. A Catalunha foi esmagada pelo expansionismo castelhano em benefício de Portugal. Solidariedade é o mínimo que se pode oferecer à Nação Catalã. O que vai fazer a UE quando a Flandres se separar da Bélgica? Impedi-la de ficar na União Europeia?

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