sábado, janeiro 14, 2012

Transparência e descaramento

Como nos tenta dizer a publicidade, "há uma linha que separa..." e na verdade, também na política dos governos deveria haver uma linha que separasse a transparência do descaramento, em particular do descaramento desbragado e até insultuoso da inteligência dos cidadadãos.
Vir dizer que a nomeação para o Conselho Geral e de Supervisão da EDP, de uma espécie de bando dos 6, é uma decisão dos acionistas é um insulto aos cidadãos deste país. Só quem não seguiu esta venda a uma empresa estatal chinesa e não sabe como funcionam os negócios na China e como opera o Estado Chinês, é que pode engolir uma patacuada destas. Sobre tudo se nos lembrarmos do que este novo acionista disse antes de ser escolhido. Disse muito claramente, em declarações na imprensa, que iria estar alinhado com o Governo. Que melhor forma de estar alinhado com a estratégia do Governo (partindo do princípio que têm uma, mas como não têm ainda é melhor) do que aceitar um manda-bocas como Braga de Macedo que acha que tem muita piada (tadinho), um ancião desbocado, uma senhora que funciona como um alto-falante de Portas, um ex-general que só pode ser voz concordante com o sócio maioritário porque a fundaçãozita que criou em fim de peça é vista em Pequim como menos do que honesta e esta é a forma de ele pagar a sua fome fundacional, um ex-banqueiro, ex-opus dei, ex-marido de uma ainda ministra, tornado livreiro, pintor, homem de confiança de um tal primeiro-ministro que queria mudar a constituição da república e confiou num monárquico para o fazer e Ilídio Pinho, acionista a 1% (talvez o único que faça sentido neste filme) ex-patrão de Passos Coelho (pelo que se torna não considerável) e, vá lá, acionista da CEM, tendo assim ligações de negócios a Macau.
Nada mais transparente, nada mais claro, tudo explicado. Os chineses percebem bem o que significa estar de acordo com o Governo e o preço que isso tem. Sobretudo os chineses confiam num ocidente de valores esquecidos, de uma pragmática dos interesses e, como pensam mais à frente, a mais longo prazo, sabem que este Governo há de ir mais cedo do que eles vão ficar. Perenidade e pensamento estratégico de longo prazo é com eles, momento e valores caducos é com os europeus. Os chineses hoje aturam esta gente porque a podem controlar, menos o piadolas dos pelos púbicos, mas esse não é um problema real porque é como o peixinho vermelho no aquário redondo, a sua memória dura apenas uma voltinha.