Em novembro de 1908 Miguel de Unamuno dizia assim sobre os portugueses: "Dentro de uns dias, a 1 de dezembro, celebrarão as festas da restauração da nacionalidade, de ter sacudido a soberania dos Filipes de Espanha. No dia seguinte voltarão a falar de bancarrota e de intervenção estrangeira. Pobre Portugal."
No presente, graças à preguiça de que nos acusam os do Norte da Europa, e o Álvaro e seus correlegionários assinam por baixo, quiçá sentido-se verdadeiramente preguiçosos e com vontade de expurgar essa condição, não de si, mas da Nação inteira para os salvar, os portugueses não poderão mais celebrar o seu dia da restauração no momento próprio, e historicamente reconhecível, com um dia de ócio dedicado às deusas Liberdade e Pátria.
Em contrapartida, este Governo oferece, diariamente, aos portugueses, razão de sobra para perpetuar o segundo elemento apontado por Unamuno. Tal como em 1908, em 2012, os portugueses poderão falar do que melhor conhecem das dádivas dos seus governantes: a bancarrota e a intervenção estrangeira. Pobres portugueses.