sábado, setembro 10, 2011

Tempo para reduzir a despesa

Parece que o monocórdico e entediante Ministro das Finanças descobriu agora que para cortar na despesa é preciso mais tempo do que para aumentar as receitas. Parece ter sido uma descoberta pós eleitoral que o PSD parece não ter tido em conta quando se preparava para chegar ao poder. Afinal parece que todas as patranhas sobre a necessidade de emagrecer o Estado eram apenas isso. Não sabiam então onde cortar só sabiam proclamar que era preciso cortar. Chegados ao poder e meses depois de se instalarem continuam sem saber onde cortar na gordura nem onde ela está. Só sabem cortar não na gordura mas na carne, não sabem cortar no colesterol mas no sangue. Onde é que está o apregoado despesismo do Estado? Nos subsídios de desemprego, nas prestações dos cuidados de saúde, na educação? Então agora os assessores já são precisos? É claro que meia dúzia de assessores não cortam no Estado os milhões que é preciso cortar. O que é preciso é cortar nos serviços aos cidadãos. Mas não foi isso que lhes disseram na campanha eleitoral e o pessoal votou, votou em mais impostos para si, menos saúde para si e para os seus e menos apoios sociais quando as políticas de corte no investimento público enviar os eleitores que trabalham no setor privado para o desemprego.
O outro era mentiroso e estes são o quê? O que era preciso então, é o que é preciso agora. Que é preciso apertar o cinto sabemos todos, mas não digam que a gordura não está nos ministérios mas nos serviços que prestam, porque antes o que diziam é que era preciso cortar na administração e não nos serviços que o Estado presta à população. Agora ficamos com o mesmo pessoal (ou vão finalmente dizer que o Estado vai despedir os seus funcionários, porque isto das reformas é só passar a despesa de um lado para o outro?) a prestar menos serviços. Funcionários mais desocupados a receber o mesmo dinheiro dos contribuintes e sem lhes prestar qualquer serviço.
Quando é que vão, finalmente, dizer que emagrecer o Estado é despedir funcionários, mandar gente para o desemprego? Gente que não vai conseguir arranjar emprego no setor privado porque este não está a contratar, antes continua a despedir? Porque, em Portugal, os privados vivem em muito do consumo do setor público, se o Estado não compra os privados fecham. Se o Estado não encomenda obra, os privados vão à falência. Os empresários que exportam, apesar de terem aumentado as suas exportações por ação das medidas levadas a cabo nos últimos dois anos, ainda não exportam o suficiente nem em número suficiente de empresas que lhes permita dispensarem o cliente Estado. Não há emprego a ser criado que possa absorver os futuros despedimentos do Estado. Se é que o Estado quer mesmo emagrecer nas suas despesas fixas e não nos serviços que deve prestar aos cidadãos. Vai haver mais miséria nos eleitores muito antes que se possa voltar a ter alguma melhoria no emprego.
O Governo sabe isto, sempre soube, porque é que não disse logo? porque queria ganhar eleições. Porque é que não o disse ainda? porque está a ganhar tempo. Será que alguma vez vai dizer? Não vai ser preciso porque vamos todos sentir esta verdade na pele. O pessoal vai então acordar e ir para a rua protestar? Não importa porque o Governo não vai ter nada para dar. Os ricos, esses, vão continuar a não pagar impostos porque há aquele mito de que se os taxarem eles fogem para os paraísos fiscais. O que é uma falácia porque quer os carreguem ou não com impostos eles fazem o que sempre fizeram, põem o dinheiro onde lhes apetece quer tenham ou não de pagar mais ou menos impostos, como, aliás, já fazem. Não o farão nem mais nem menos, farão como sempre têm feito. Como já fazem as "nossas" grandes empresas há muito tempo: a Sonae fugiu para a Holanda, tal como as próprias empresas com capital do Estado como a GALP, a EDP ou a PT. Para quê então esta ilusão? Os ricos não fogem nem mais nem menos com mais impostos, fogem sempre.

terça-feira, setembro 06, 2011

Imagine

Imagine que o primeiro-ministro britânico chegava ao poder e, aconselhado pelo Senhor Álvaro local (porque os há em todos os países exceto em França) dizia: o British Council é um instituto dispensável vamos fechá-lo. O que se diria de David Cameron?
Imagine que o Presidente da República Francesa acordava depois de ter sonhado que tinha recebido um conselho do Senhor Álvaro local (imaginário porque não os há em França, onde preferem os DSK) e dizia: a Aliance Française é uma organização dispensável, vamos fechá-la. O que se diria de Sarkozy?
Imagine... Espere, você é português não precisa de imaginar.