sábado, setembro 26, 2009

Pacheco Pereira abruptamente

Fiquei absolutamente estarrecido ao ouvir Pacheco Pereira na última Quadratura do Círculo. É raro ouvir uma argumentação tão retorcida, tão tortuosa. Fiquei com medo, porque quem é capaz de pegar na realidade e lhe dar aquele tratamento invertido, mete medo. Uma arte como a reconhecida capacidade de argumentação de Pacheco Pereira, pode afinal, como nas histórias aos quadradinhos, ser usada pelo senhor das sombras. Pacheco Pereira transformou-se em alguém que passou para o outro lado da Força. É uma espécie de Darth Vader de Manuela Ferreira Leite.
Mas pronto, agora que cheguei a este ponto do meu raciocínio fiquei mais descansado e o medo desvaneceu-se. Pacheco Darth Pereira Vader, é apenas uma personagem de ficção. Tive medo, genuinamente, quando pensei que era verdade, mas agora que sei que é uma personagem de desenhos aos quadradinhos e de desenhos animados acho que até posso continuar a ver o programa da SIC.
Agora não deixei de ver a ironia absolutamente extraordinária quando li no blogue deste candidato escalabitano à AR, o seguinte: Ofende os bons quem poupa os maus. Ora não estará a ofender os bons quem defende algo de mau (mau como político, mau porque é manifestamente uma economista ultrapassada e sem visão, mau porque, de facto, a senhora tem dificuldade em esconder a verdade quando acaba por manifestar ideias racistas e xenófobas contra os emigrantes, quando tem dificuldade em esconder a verdade das suas convicções e preconceitos sobre as orientações sexuais de cada um ou sobre a forma como os heterossexuais decidem viver em comum) Manuela Ferreira Leite representa algo de muito mau na sociedade portuguesa que é aquele tipo de gente que diz que não é racista mas não deixa de o ser no seu íntimo e na sua prática, que diz que não quer saber da sexualidade dos outros mas que, na verdade, tudo fará para os prejudicar, nem que seja não fazendo nada. Não estará Pacheco Pereira a ofender os bons quando poupa a má? Ou não reconhecerá ele os preconceitos de uma pessoa quando ela tem uns "desvios", uns "lapsos", umas "escorregadelas" discursivas contra as pessoas que ela acha que lhe são inferiores? Porque é disso que se trata, Manuela Ferreira Leite é uma suprematista não assumida. Sob a capa de quem estará a defender os pretensos interesses dos portugueses que vivem em Portugal condenado assim, objectivamente, quase quatro milhões e meio de portugueses que vivem no estrangeiro, sendo já estes últimos vítimas de Manuelas Ferreiras Leites locais, que também só querem o mesmo que ela como Le Pen, Geert Wilders, da Holanda Berlusconi e outros que tais.
Ainda mais extraordinário é o artigo-queixume que segue no blogue de Pacheco Pereira, entre o lamento e o animal feroz que encima o artigo. Lá se lê que dizem mentiras sobre ele num jornal (coisa tão difícil de acontecer nos nossos media), e questiona-se de como será com os outros. Se calhar é como alguns jornais que se deixam usar para publicar notícias forjadas que pretendem prejudicar adversários políticos, ou quando se viola o segredo de justiça para, objectivamente, prejudicar adversários políticos que estão no Governo... Diga, Pacheco Pereira, como será com os outros? Como será vestir a pele de quem é difamado, quando se dizem mentiras a seu respeito impunemente, quando se usa o que deveria ser notícia para o ataque pessoal sistemático.
Uma noticiazita que mente sobre a sua ligação a Santarém é o fim do mundo. Diga lá Pacheco Pereira como será quando se quer eliminar politicamente um adversário político? Como será quando a difamação ultrapassa a mera ignorância de um jornalista que não sabe onde mora Pacheco Pereira há 15 anos? Aposto que Pacheco Pereira é capaz de argumentar sobre esta questão agora que sentiu na pele a "perseguição dos media".

Fernando Lima passa para a secretária ao lado...

... Ao fundo à esquerda. Tal como previ no meu último artigo neste blogue, Fernando Lima saiu apenas da folha de pagamentos como assessor para a imprensa e passa para outra folha qualquer. Não sai é a sombra de Cavaco Silva. Quando se partilham 25 anos todos os golpes de teatro, como o anúncio de uma demissão, são, naturalmente, preparados. Agora o ónus da prova já não está na acusação que tem de provar que uma determinada acção foi cometida, agora, quem tem de provar seja o que for é quem para mostrar que está a tomar uma atitude, apenas coloca na sombra uma situação que já vivia na penumbra. Não há um mínimo de aceitabilidade na atitude de Cavaco Silva que não deixa cair um peão (só não estou tão seguro sobre quem é peão de quem) apenas o muda de lugar. Fernando Lima está sob uma contagem de protecção como no boxe, e isso é inadmissível em democracia, é inadmissível de quem está em Belém exercendo a Magistratura que lhe foi confiada em nome do Povo Português e pelo Povo de Portugal. É inadmissível até no clube do Bairro. Na verdade é apenas inadmissível.

segunda-feira, setembro 21, 2009

A baixa necessária, o sacrifício para proteger o Chefe.

A demissão de Fernando Lima neste momento, apenas prova que a cooperação estratégica entre Belém e o Público são uma verdade indesmentível. Neste momento a demissão de Fernando Lima, para além de ser apenas um acto formal, é na verdade muito pouco, muito tarde. Agora só mesmo a demissão de Cavaco Silva permite assegurar que o clima de conspiração permanente em que Belém se ocupa, chega ao fim. Fernando Lima sai apenas da folha de pagamentos. Enquanto Cavaco Silva estiver em Belém, Fernando Lima tem um papel não negligenciável na capacidade de decisão de Cavaco Silva e na sua relação com o Governo e com o País. É absolutamente intolerável em democracia que Belém possa continuar a conspirar contra a democracia, o Governo e o País. Sempre tenho afirmado que Cavaco Silva não tem estatura política para ser Presidente de Portugal e aqui está mais uma prova. Que mais será preciso para que o Parlamento interrompa esta anomalia no sistema democrático?
É por isso que Manuela Ferreira Leite fala em asfixia democrática e tem como modelo democrático o Governo de Alberto João Jardim. Cavaco Silva concorda e pretende concretizar esse modelo no Governo da República. Manuela Ferreira Leite é apenas um tentáculo deste polvo que veio levemente à tona neste caso.
Como um vulgar lagarto, em face do perigo, Belém deixou cair a cauda, para a deixar crescer de novo, mais tarde. Fernando Lima nada mais foi do que uma cauda de réptil deixada para trás na retirada face ao pânico que invadiu Belém. Mas voltará a crescer se o lagarto não for ele próprio derrotado.

domingo, setembro 20, 2009

Os verbos de encher

É curioso, melhor, é absolutamente ridículo que Jerónimo de Sousa venha acusar os deputados dos outros partidos de serem "verbos de encher", quando ele próprio afastou ainda nesta legislatura duas deputadas suas que se recusaram a ser verbos de encher do comité central do PCP? Será que Jerónimo de Sousa percebeu a dimensão do que disse? O PCP que na sua prática política interna se comporta activamente, em relação aos militantes que não partilham o pensamento único oficial, exactamente como Manuela Ferreira Leite, vem acusar os outros daquilo que ele próprio pratica?