Fiquei absolutamente estarrecido ao ouvir Pacheco Pereira na última Quadratura do Círculo. É raro ouvir uma argumentação tão retorcida, tão tortuosa. Fiquei com medo, porque quem é capaz de pegar na realidade e lhe dar aquele tratamento invertido, mete medo. Uma arte como a reconhecida capacidade de argumentação de Pacheco Pereira, pode afinal, como nas histórias aos quadradinhos, ser usada pelo senhor das sombras. Pacheco Pereira transformou-se em alguém que passou para o outro lado da Força. É uma espécie de Darth Vader de Manuela Ferreira Leite.
Mas pronto, agora que cheguei a este ponto do meu raciocínio fiquei mais descansado e o medo desvaneceu-se. Pacheco Darth Pereira Vader, é apenas uma personagem de ficção. Tive medo, genuinamente, quando pensei que era verdade, mas agora que sei que é uma personagem de desenhos aos quadradinhos e de desenhos animados acho que até posso continuar a ver o programa da SIC.
Agora não deixei de ver a ironia absolutamente extraordinária quando li no blogue deste candidato escalabitano à AR, o seguinte: Ofende os bons quem poupa os maus. Ora não estará a ofender os bons quem defende algo de mau (mau como político, mau porque é manifestamente uma economista ultrapassada e sem visão, mau porque, de facto, a senhora tem dificuldade em esconder a verdade quando acaba por manifestar ideias racistas e xenófobas contra os emigrantes, quando tem dificuldade em esconder a verdade das suas convicções e preconceitos sobre as orientações sexuais de cada um ou sobre a forma como os heterossexuais decidem viver em comum) Manuela Ferreira Leite representa algo de muito mau na sociedade portuguesa que é aquele tipo de gente que diz que não é racista mas não deixa de o ser no seu íntimo e na sua prática, que diz que não quer saber da sexualidade dos outros mas que, na verdade, tudo fará para os prejudicar, nem que seja não fazendo nada. Não estará Pacheco Pereira a ofender os bons quando poupa a má? Ou não reconhecerá ele os preconceitos de uma pessoa quando ela tem uns "desvios", uns "lapsos", umas "escorregadelas" discursivas contra as pessoas que ela acha que lhe são inferiores? Porque é disso que se trata, Manuela Ferreira Leite é uma suprematista não assumida. Sob a capa de quem estará a defender os pretensos interesses dos portugueses que vivem em Portugal condenado assim, objectivamente, quase quatro milhões e meio de portugueses que vivem no estrangeiro, sendo já estes últimos vítimas de Manuelas Ferreiras Leites locais, que também só querem o mesmo que ela como Le Pen, Geert Wilders, da Holanda Berlusconi e outros que tais.
Ainda mais extraordinário é o artigo-queixume que segue no blogue de Pacheco Pereira, entre o lamento e o animal feroz que encima o artigo. Lá se lê que dizem mentiras sobre ele num jornal (coisa tão difícil de acontecer nos nossos media), e questiona-se de como será com os outros. Se calhar é como alguns jornais que se deixam usar para publicar notícias forjadas que pretendem prejudicar adversários políticos, ou quando se viola o segredo de justiça para, objectivamente, prejudicar adversários políticos que estão no Governo... Diga, Pacheco Pereira, como será com os outros? Como será vestir a pele de quem é difamado, quando se dizem mentiras a seu respeito impunemente, quando se usa o que deveria ser notícia para o ataque pessoal sistemático.
Uma noticiazita que mente sobre a sua ligação a Santarém é o fim do mundo. Diga lá Pacheco Pereira como será quando se quer eliminar politicamente um adversário político? Como será quando a difamação ultrapassa a mera ignorância de um jornalista que não sabe onde mora Pacheco Pereira há 15 anos? Aposto que Pacheco Pereira é capaz de argumentar sobre esta questão agora que sentiu na pele a "perseguição dos media".