Vivo num país de lorpas. De gente mal educada e mal humorada a quem todos devem e nem lhes paga... mas na verdade é ao contrário, devem a todos e não pagam a ninguém. Não sabem estar num teatro, riem como alarves das piadas mais secas; não sabem estar calados num cinema, no metro não sabem deixar sair para depois entrar; põem-se no cais em manada e assim que se abrem as portas parecem cabrestos a entrar nos currais. Desde que o metropolitano chega à Amadora e a Odivelas a coisa piorou mesmo. É a vitória do lorpa sobre uma hipótese de civilização. É gado atrás de gado. Gente mal cheirosa que mais parecem franceses acabadinhos de chegar ao aeroporto. Tipas a ler revistas lorpa style com ar de quem acabou de sair de um bar de alterne. Gajos com cara de quem não consegue levantá-la e querem culpar o mundo por serem impotentes e as mulheres com cara de quem não sabe o que é um orgasmo desde o dia em que no auge da excitação (já lá vão dez anos) fornicaram um tipo no corredor de uma discoteca onde foram fazer a despedida de solteiras.
Não consigo encontrar nada que me relacione com estes alegados portugueses. Logo eu, que tenho orgulho de o ser, não consigo ver naquela gentalha informe alguém que me faça lembrar 8 séculos de história.