De repente, não mais que de repente, ouvir o discurso de Pedro Passos Coelho no tempo em que chumbou o famoso PEC IV e ouvir Pedro Passos Coelho agora é um deleite sobre o que disse então ser "tratar Portugal e os portugueses como coisa sua, dando mostras da sua total falta de cultura democrática" e "impor agora novos aumentos de impostos, cortes nas pensões, no serviço nacional de saúde ou na rede escolar, confirma a estratégia do governo [o do Sócrates, claro] de transformar medidas de emergência, que pelos sacrifícios que impõe aos cidadãos, apenas devem ser assumidas em situações extraordinárias, e de modo conjuntural, em soluções correntes normais a aplicar nos próximos anos", parece que agora já estamos em situações extraordinárias temos tudo aquilo para os próximos anos. Pedro Passos Coelho sabia bem do que estava a falar.
Também me lembro agora, de repente, não mais que de repente, do alarido que Pedro Passos Coelho fez sobre o fundo de pensões da PT servir para baixar o défice de 2010, agora com o Fundo de Pensões dos Bancários a servir para pagar o défice de 2011, nada a dizer.
Sobre a fuga dos grandes grupos para a Holanda já nem vale a pena dizer nada, nem a amarga ironia sobre o incentivo governamental à emigração.
De repente, não mais que de repente, Pedro Passos Coelho é o homem e a sua circunstância. Ontem um e hoje o seu contrário. Ontem mentiu aos portugueses, hoje diz a verdade, ou o contrário ou nem hoje nem ontem. Pergunto-me hoje, se ontem Sócrates mentia, e hoje está tudo bem porque agora não é só Pedro Passos Coelhos a mentir, é o Governo em uníssono e a uma só voz. Ou talvez se estejam tão só e apenas a marimbar (que palavra mais desenxabida) para os portugueses, tratando-os "como coisa sua e dando mostras da sua total falta de cultura democrática".
De repente, não mais que de repente decidi que eu não quero emigrar... mas também não gostava de ficar aqui sozinho. Já estou farto de ser sempre eu a pagar impostos e de ter a sensação de que os que antes fugiam aos fisco o continuam a fazer hoje. Talvez eu deva ir para a Suécia... Não fora o frio.
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