Seja pela força das armas, seja pelo voto democrático e ato superior de aceitação da vontade dos outros, ao mesmo tempo que afirma a sua própria, a Independência é algo que tem de se merecer. Os escoceses mostraram a sua vontade e uma parte significativa achou que não merecia ser independente. Não é caso de se dizer que decidiram continuar sob o jugo inglês, ou que demonstraram por maioria que desejavam continuar sob a tutela soberana de Londres. Como a Independência é coisa que só se tem quando se merece, os escoceses demonstraram na sua maioria que preferem ter um primeiro-ministro escocês de quando e vez em Londres a arcarem com a responsabilidade de serem donos do seu destino. Acharam que não mereciam. Ao contrário dos Irlandeses, décadas antes, os escoceses preferiram o conforto da Rainha e o alívio dos mercados.
A Escócia merece pertencer ao Reino Unido e partilhar o caminho de quem lhes extorquiu a Língua própria e lhes emprestou a sua. Como noutras ocasiões, nestes 300 anos, os escoceses tiveram a liberdade de pensar e decidir o seu destino pela sua própria cabeça, mas no último momento, decidiram pensar o que Londres decidiu. Não há promessa que valha ser substituto da independência. Mais uma vez os escoceses preferiram as promessas inglesas. Os escoceses, afinal e por toda a simpatia que me merecem, não estão capazes de ser independentes. Tomaram a decisão sensata, de ser governados por quem sabe e tem experiência em governar outros. Não será por causa disso que deixarei de beber um bom whisky de malte escocês e de com ele saborear a Liberdade que os que o produziram não sabem o que é.
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