domingo, novembro 23, 2014

Prisões com flash

Parece que nos dias que correm qualquer cidadão pode estar certo de que se não estiver a chegar de viagem (avião, comboio, autocarro, elétrico, metro, barco ou mesmo táxi) e não houver uma chusma de jornalistas por perto, não vai ser preso. Mas qualquer cidadão (numa sociedade onde nos jornais todos somos culpados até prova em contrário) pode ser preso se houver um jornalista, um fotógrafo, ou uma câmara de TV, por perto. Não interessa o motivo (na verdade hoje não temos a ce...rteza de estar inocentes do que quer que seja). Podemos não viver num Estado Policial, mas devemos estar a viver um Estado Judicial onde, curiosamente, tudo vai ter ao mesmo magistrado. Pobre homem, não deve dormir.
A justiça pode ser cega, mas pelos vistos sofre de insónias e sabe os contactos de todas as redações. Os procedimentos e diligências obrigam à presença de funcionários de comunicação social? Se fosse intimado a comparecer numa esquadra ou junto de um juiz, Sócrates fugia? Haveria perigo de, caso fosse intimado, passasse a noite e o dia a destruir fotocópias como se soube de um anterior ministro que nunca foi intimado para nada? Para bem da justiça em Portugal espero bem que quer no caso dos vistos Gold (lembram-se? foi só na semana passada) quer a detenção de Sócrates (e dos outros 3) sejam coisa bem firme e consistente e que dê mesmo condenações exemplares. Se assim não for, não há forma de confiar na justiça em Portugal. E teremos então de pensar porque é que o Governo de Timor-Leste atuou como atuou.

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