segunda-feira, dezembro 15, 2008

Manuel Alegre revela-se

Finalmente Manuel Alegre revela as suas verdadeiras intenções: Destruir o PS e fazer os actuais dirigentes do Partido pagar por não o terem apoiado na sua cruzada contra Mário Soares nas Presidenciais em que serviu de pano de fundo para colocar Cavaco Silva na Presidência. Manuel Alegre aparece agora com a ameaça de colocar o PSD no governo na sua nova cruzada: Tirar o PS do Governo e entregar o poder à direita nas próximas eleições legislativas. Manuel Alegre procura a sintonia institucional que defende: a mesma cor em todas as instituições governativas: Um presidente, uma maioria, um governo. Tudo às direitas... e à direita, que é para a "esquerda" poder lamuriar-se à vontade e "mobilizar as massas para a luta" de rua que é onde esta esquerda gosta de andar, a "laurear a pevide" pelas ruas sem nunca se comprometer com as decisões políticas de quem governa.
Manuel Alegre defende uma esquerda muito sui generis, a esquerda que se esforça por oferecer repetidamente o poder à direita.
Manuel Alegre é, na prática, a testa-de-ferro da direita em Portugal. Grande percurso deste dirigente, que não sabe perder. Destruir, destruir, até a sua sede de vingança estar satisfeita. Ou seja, virar tanto à esquerda para chegar à direita.
Prejudicar e sacrificar um país aos seus caprichos pessoais, é obra. E revela uma natureza tenebrosa, que choca com os valores humanistas que a esquerda democrática sempre defendeu.
Mas ao menos, Manuel Alegre mostrou finalmente de que lado da barricada está: da sua, que agora se confunde com a de Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas.
A Manuel Alegre já pouco mais resta por fazer do que juntar-se à equipa itinerante formada pela CGTP/PCP que anda a gritar alegremente "Mentiroso, mentiroso", em tom alarve, atrás do Primeiro-ministro.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Get an education and pull up your pants!

A frase que dá título a esta entrada, foi retirada de uma reportagem televisiva onde um dos votantes em Obama, satisfeito pela eleição do seu candidato, gritou esta frase para a televisão. É claro que agora gostavam que eu escrevesse aqui que quem fez estas declarações tinha uma pigmentação igual ou parecida à do candidato eleito e que era afro qualquer coisa. Mas não digo. Não digo por que este apelo à educação dos seus concidadãos embora tivesse um destinatário preciso no contexto cultural e étnico americano, bem se pode aplicar a todos os que optaram por usar as calças pelo meio do rabiosque e que, em vez de aproveitarem a oportunidade que os Estados dão a todos os jovens cidadãos de acederem a uma educação formal, preferem pendurar-se no sistema fingindo que vivem à sua margem.
A frase acima bem podia ser dita (talvez com outra escolha vocabular) por Martin Luther King ou Malcom X (neste caso tal e qual). É uma frase que apela às minorias que saiam das margens para onde são empurradas ou para onde se vão encolhendo, para mostrarem o seu valor fazendo o que normalmente se diz das mulheres: que para vencerem no mundo dos homens têm de ser 2 vezes melhor que os homens. Neste caso que para vencerem num mundo de descendentes de Europeus têm de se aplicar e ser duas vezes melhores do que eles para conseguirem alcançar um lugar de parceiros no mundo do trabalho e na sociedade em geral. Uma das coisas que enfurecia Malcom X era a auto exclusão e a facilidade com que os seus "irmãos" se acolhiam na marginalidade, na rua e enchiam as prisões. Ele achava que um descendente de escravos tinha de ter uma força de vencer muito maior que da maioria opressora, que a lamúria devia ser substituída por uma espécie de "superioridade da minoria" que a arrancaria da base mais rasa da sociedade para o lugar que a todos pertence independentemente da etnia da cor ou da religião.
Digo isto porque Obama corre o risco de desiludir mais os 12% da população americana que o elegeram por ele ser um dos seus, do que todos os outros. Se estes 12% acham que a partir de agora a América vai passar a contratar esta minoria só porque há alguém na casa branca que não tem um nome europeu, estão muito enganados. Obama acredita no que diz, quando afirma que só há americanos e que as etiquetas apenas servem para manter as minorias no seu canto. Se as minorias se continuarem a ver primeiro como minorias e só depois como americanos, não perceberam nada do que Obama representa. O mais certo é acabarem a dizer o que Jessie Jackson pensa, que Obama é um preto armado em branco.

domingo, novembro 02, 2008

Os militares e a rebelião, segundo Loureiro dos Santos

Esta coisa de certas classes profissionais - que outrora eram vistas como um dever e uma obrigação individual do Cidadão e do exercício da Cidadania, como as que se ocupam da defesa da Pátria e a garantia da prevenção, manutenção da ordem interna e da repressão dos que optaram pela vida da delinquência nas suas mais diversas manifestações -, mas que hoje são profissões exercidas por profissionais que, por vontade própria e sem coacção, resolveram exercê-las, virem a tempos que parecem deliberados e pensados (e não estou a pensar em deliberada conspiração) com exigências de garantias de direitos adquiridos, que pretensamente lhes estão a ser retirados, quando o cidadão comum sente no dia-a-dia que cada vez tem menos direitos, que pensava estarem adquiridos e garantidos - como a sua reforma e o emprego para a vida -, parece-me que toca a soberba de quem acha que aos outros se pode tirar e retirar o que o Governo e a economia vão exigindo para um suposto bem comum, mas que para eles nada muda nem pode mudar.

Ora eu acho que o assunto é muito mais simples e de fácil resolução, se os militares não estão contentes com a sua situação profissional têm, como diz o povo, bom remédio: exercer o direito que ninguém lhe vai tirar de certeza, o de mudar de profissão, o de procurar um outro emprego, um trabalho, uma profissão que eles entendam que lhes pode dar uma vida menos custosa e mais proveitosa economicamente.

Sempre ouvi dizer que "quem não está bem muda-se". Aos militares apenas digo que se não se sentem pagos e com as regalias a que acham que têm direito, dispam a farda e arranjem outro emprego. Deixem o Governo sem Forças Armadas, que outros, que não é o meu caso, até acham que não servem para nada neste mundo moderno e civilizado e num País como Portugal. Deixem as esquadras e procurem emprego no mercado de trabalho nacional tal como fazem milhões de portugueses, que procuram no mundo do trabalho um emprego.

O Senhor Loureiro dos Santos acha que os militares podem, de alguma forma, cometer uma imprudência, não diz revolta nem golpe de Estado, por não estarem a ser bem tratados pelo Estado. Mas podem os pedreiros fazer um golpe de estado ou cometer uma imprudência, quando o patrão lhes paga mal ou os despede? Que arrogância, que sobranceria é esta? Há realmente pessoas a viver fora do seu tempo e fora da realidade e arrisco dizer que não são os cidadãos que todos os dias acordam a pensar se, quando o dia acabar, ainda terão emprego e ordenado ao fim do mês. E não me parece que esse seja o dilema matinal dos militares e das forças da ordem. 

quinta-feira, outubro 16, 2008

Alegre contra ou contra Sócrates...

Manuel Alegre é um caso de estudo. É um homem encantador, evoca princípios éticos por que entende que é eticamente inatacável. Manuel Alegre parece autoproclamar-se o último dos puros no PS, sem precisar de o declarar. Evoca isto e aquilo, em particular a amada liberdade para votar a favor do casamento gay e assim sair da manada, e entrar nos noticiários. Fico sem saber se é por ser a favor da extensão deste tipo de contrato aos gays ou se é só para irritar Sócrates. Provavelmente eu é que não percebo a diferença ou a coincidência.
Agora abstém-se na questão da lei do Governo sobre as garantias à Banca. Parece que é por uma questão de forma e não de conteúdo, ou então foi porque Sócrates, naturalmente é a favor. Mais uma vez, devo ser eu que não percebi.
Esta relação sistemática entre o PS e Manuel Alegre convergir na divergência com Sócrates, não sei porquê, mas parece sempre que não é por causa da substância mas por causa de... Sócrates estar no lado oposto da opinião de Manuel Alegre. Poderia ser, mas claro que não pode ser, Manuel Alegre é, pela sua estatura, um homem que consegue distinguir uma hipotética birra contra Sócrates, dos valores que o fazem divergir. Eu é que não chego lá. Se calhar porque ele não explica bem, ou "o sal não salga ou o mar que se não deixa salgar" como disse o pregador.

Não acerta uma

Depois de voltar a ser notícia... por não ser notícia e de voltar a falar para nada dizer, Manuela Ferreira Leite, regressa agora para dizer que faz parte de uma equipa e que outros deveriam falar e não apenas ela. Uma coisa é certa, Ferreira Leite percebeu, que não acerta uma e que assim sendo, mais vale passar a bola já que ela não consegue jogar.
Sobre o Orçamento para 2009, não o pode criticar já que ela sabe muito bem (tal como os portugueses, diria Sócrates) que não é possível fazer outra coisa na actual conjuntura. A única coisa a que pode deitar mão é usar a velha rábola do eleitoralismo e mesmo assim reconhece que nem por aí pode ir muito longe. O médico de Gaia, esse mártir do aparelho laranja, já lhe reza pela pele e, para falar verdade, nos corredores socialistas, em particular na ala católica, já se reza para que ela se mantenha à frente do PSD até às eleições. Foi o melhor que podia ter acontecido ao Governo.  

domingo, setembro 07, 2008

Entendi o silêncio, não percebo porque o quebrou

Ao ouvir hoje Manuela Ferreira Leite entendi a razão porque não tem falado e se tem votado à reclusão e ao silêncio. Depois de ouvir hoje Manuela Ferreira Leite fiquei sem perceber porque não se manteve em silêncio. É que se é verdade que o silêncio é de oiro e que falar pouco dá um ar de seriedade e ponderação, também pode ser sinónimo de nada ter para dizer. Foi o que Manuela Ferreira Leite hoje provou. Nada tinha para dizer de seu. O seu discurso deveria pagar direitos de autor a uma série de opinadeiros a metro da imprensa, da rádio e da TV. O discurso desta intermitente presidente do PSD foi um conjunto de "covers" de paineleiros conhecidos, interpretados no seu já famoso tom monocórdico à maneira de Manoel de Oliveira e com a mesma emoção e dinamismo que o realizador empresta aos seus filmes.