Esta coisa de certas classes profissionais - que outrora eram vistas como um dever e uma obrigação individual do Cidadão e do exercício da Cidadania, como as que se ocupam da defesa da Pátria e a garantia da prevenção, manutenção da ordem interna e da repressão dos que optaram pela vida da delinquência nas suas mais diversas manifestações -, mas que hoje são profissões exercidas por profissionais que, por vontade própria e sem coacção, resolveram exercê-las, virem a tempos que parecem deliberados e pensados (e não estou a pensar em deliberada conspiração) com exigências de garantias de direitos adquiridos, que pretensamente lhes estão a ser retirados, quando o cidadão comum sente no dia-a-dia que cada vez tem menos direitos, que pensava estarem adquiridos e garantidos - como a sua reforma e o emprego para a vida -, parece-me que toca a soberba de quem acha que aos outros se pode tirar e retirar o que o Governo e a economia vão exigindo para um suposto bem comum, mas que para eles nada muda nem pode mudar.
Ora eu acho que o assunto é muito mais simples e de fácil resolução, se os militares não estão contentes com a sua situação profissional têm, como diz o povo, bom remédio: exercer o direito que ninguém lhe vai tirar de certeza, o de mudar de profissão, o de procurar um outro emprego, um trabalho, uma profissão que eles entendam que lhes pode dar uma vida menos custosa e mais proveitosa economicamente.
Sempre ouvi dizer que "quem não está bem muda-se". Aos militares apenas digo que se não se sentem pagos e com as regalias a que acham que têm direito, dispam a farda e arranjem outro emprego. Deixem o Governo sem Forças Armadas, que outros, que não é o meu caso, até acham que não servem para nada neste mundo moderno e civilizado e num País como Portugal. Deixem as esquadras e procurem emprego no mercado de trabalho nacional tal como fazem milhões de portugueses, que procuram no mundo do trabalho um emprego.
O Senhor Loureiro dos Santos acha que os militares podem, de alguma forma, cometer uma imprudência, não diz revolta nem golpe de Estado, por não estarem a ser bem tratados pelo Estado. Mas podem os pedreiros fazer um golpe de estado ou cometer uma imprudência, quando o patrão lhes paga mal ou os despede? Que arrogância, que sobranceria é esta? Há realmente pessoas a viver fora do seu tempo e fora da realidade e arrisco dizer que não são os cidadãos que todos os dias acordam a pensar se, quando o dia acabar, ainda terão emprego e ordenado ao fim do mês. E não me parece que esse seja o dilema matinal dos militares e das forças da ordem.
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