Se alguém roubar uma laranja tem a legitimidade de reclamar a alteração da lei para que o seu ato seja legítimado? se alguém roubar um banco, ou uma casa, tem o direito de exigir do juiz, ou do tribunal que o vai julgar, que compreenda o contexto ignorando a Lei? que seja responsável e que arque com as consequências da sua decisão? Tenho eu o direito de exigir a um juiz que ignore a Lei, que a relativise que avalise as minhas decisões porque eu atuei contra milhões de concidadãos, privando-os de bens, do direito à saúde, ao bem-estar, ao trabalho e à felicidade porque eu acho que a Lei não se me deve aplicar porque eu sou incapaz e incompetente para encontrar soluções para os problemas que enfrento, sem violar a Lei?
O Artigo 21 da Constituição serve para nos proteger dos que acham que o cidadão não existe, que o povo é apenas um intocável, o último elo na casta. Os servos da gleba já não existem, os senhores feudais morreram no seu tempo, um cidadão não pode abdicar da sua cidadania porque um fraco foi eleito.
Quando se elege o nosso companheiro de café, para nos comandar os destinos, dá nisto. Passos Coelho é um nosso igual, um indivíduo que olha para a parede e vê a parede, mas que não é capaz de ver o que está para além dela. As eleições servem para eleger os melhores de nós e não os que são iguais a nós. Hoje temos um governo de gente que não se distingue de nós, que não vê mais longe que nós, que não almeja mais do que nós. Temos um governo de café, de gente que acha que ser político é mau, quando ser político é ser humano.
A política é o que nos distingue dos resto dos animais, não ser político é como ser qualquer dos outros animais, reptéis, mamíferos, não interessa, porque ser político é ser humano, e não o ser coloca-nos tão perto do chimpazé como da amiba.
O discurso, o nível do discurso, o léxico destes governantes de hoje está no grau zero da inteligência. Eu não quero um tipo igual a mim a governar-me, quero um melhor que eu. Se eu tiver um tipo igual a mim a governar-me, prefiro ser eu a governar-me. Para me governar preciso de alguém melhor do que eu. Nenhum dos governantes deste país, neste momento, é melhor do eu, é pior. E pensar que eu fazia melhor do que os que estão agora a governar-me, retira-lhes toda a legitimidade para o fazer.
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